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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Último nascer do Sol de 2010

Estava assim a minha Quebra Canela esta manhã:


Foi esta a forma que encontrei para vos dizer...

...Boas Festas e um Feliz 2011!


("Quebra Canela", fotos de PD)

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Instantâneos

Hoje está assim, minha Cidade enluarada:

Dizia, é preciso amar esta Cidade, caramba!

("Cidade enluarada" - foto de PD, 20/12/2010)

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Dedicatória de final de semana

Porque este cantinho também é feito de intimidades...


("Mulheres da minha vida" - foto de PD)


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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Nós e as medidas dos outros

Sabendo que...
1. Portugal é o principal parceiro comercial de Cabo Verde (fonte de 48% das nossas importações e destino de 33% das exportações, em 2009), e que esta dinâmica vem aumentando (ler aqui);
2. Apenas 4 países (Portugal, Países Baixos, Espanha e Brasil) forneceram 79% de todos os bens que importamos em 2009;
3. Um cabaz de apenas 28 produtos (destacando-se gasóleo, ferro e aço, arroz e cimento, entre outros) representaram 60% do total de mercadorias importadas por Cabo Verde em 2009;
4. Da lista indicada no ponto anterior, 7 categorias têm (ou já tiveram) produção local: móveis, cerveja, medicamentos, carne e miudezas de aves, preparados alimentares e frutas;
5. Juntas, estas 7 categorias do "top 28" representaram 8,5% do total das importações, equivalente 4,8 milhões de contos,


Perguntinhas...

I. O que significa, para a nossa balança comercial, o sector privado nacional e a nossa economia como um todo, essas 50 medidas anunciadas ontem pelo Governo português - especialmente as referentes ao primeiro bloco -, a nível de:
a) Ritmo de crescimento das importações oriundas de Portugal nos próximos tempos?
b) Competitividade das nossas empresas, especialmente nos sectores das 7 categorias referidas no ponto 4 acima?
b) Rácio de cobertura das exportações?

II. O que podemos fazer (Governo, Autarquias, sector privado, associações de classe - Câmaras de Comércio, AJEC, etc... - público em geral) para maximizarmos as oportunidades, para Cabo Verde, decorrentes dessas medidas e minimizarmos os eventuais impactos negativos?

É caso para se dizer: dá que pensar...

(Thanks, Carlos, pela dica!).
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sobre o empreendedorismo e outras provocações...

Agora que o "empreendedorismo" parece ter entrado na moda nessas ilhas, não é demais partilhar aqui convosco algumas insónias, em jeito de provocação para o debate que se impõe.

1. Está a tornar-se já senso comum a ideia de que o crescimento económico e o desenvolvimento dependem muito do fomento do empreendedorismo e, especialmente no que a Cabo Verde diz respeito, do empreendedorismo feminino, considerando o peso que o desemprego tem neste segmento.

2. No entanto, é necessário clarificarmos e separarmos os conceitos de empreendedorismo: por necessidade e por vocação. O empreendedorismo por necessidade, como o próprio nome indica, é "forçado" pelas circunstâncias e pela necessidade de se encontrar vias para garantir o sustento. Apesar do poder deste tipo de empreendedorismo em estimular o nascimento de pequenos negócios - e, consequentemente, aumentar o auto-emprego -, tendencialmente o seu crescimento é limitado (ou estagna-se) assim que esta necessidade de "sobrevivência" é atingida.

3. Dito de outra forma, o empreendedorismo por necessidade na maior parte das vezes não carrega na sua essência a "ambição de crescer" que caracteriza o empreendedorismo por vocação. Por isso, o seu potencial enquanto motor de crescimento económico sustentável a longo prazo é limitado - o que poderia explicar parcialmente, por exemplo, o facto de não obstante a África Subsaariana ser uma região com uma longa tradição de empreendedorismo - por necessidade -, o número de multinacionais surgidas e/ou com sede na África é muito reduzido...

4. Por outro lado, os empreendedores por vocação têm uma necessidade intrínseca de crescer, de inovar, de desafiar o status quo, de experimentar coisas novas - muito além da mera necessidade de sobrevivência. O empreendedor por vocação é naturalmente irrequieto, procura identificar e explorar oportunidades de negócio e de expansão, independentemente da simples satisfação de necessidades básicas de sobrevivência. Este tipo de empreendedorismo, por isso, tem um efeito positivo muito maior no ritmo e natureza do crescimento económico de um país ou uma região. A promoção, portanto, de uma cultura empreendedora (por vocação) no seio de um determinado grupo tem um resultado potencial maior na medida em que estimula as pessoas a terem ambição. A crescerem. A se expandirem, a não se limitarem à busca de meras soluções para assegurar os "três por dia".

4. Em resumo, poderíamos dizer que o empreendedorismo por necessidade REDUZ A POBREZA, enquanto o empreendedorismo por vocação PROMOVE A RIQUEZA.

5. No que diz respeito a Cabo Verde, muito se tem falado no empreendedorismo e esporadicamente se tem debatido se somos ou não um povo empreendedor. A minha opinião é o seguinte: se estamos a falar de empreendedorismo por necessidade, somos sim um povo empreendedor. A própria natureza agreste e as difíceis condições de vida empurraram-nos historicamente para a busca de soluções empreendedoras imediatas para a cachupa na panela. Mas se estamos a falar de empreendedorismo por vocação, aqui não estou assim tão convencido, se temos de facto uma cultura empreendedora muito forte. As evidências são muitas: número de empresas, estrutura da balança comercial, número de empresas internacionalizadas, peso da informalidade na economia (temos 24.000 Unidades de Produção Informal contra cerca de 8200 empresas formais - quem se mantém na informalidade é porque não tem ambição de crescer, típico do empreendedorismo por necessidade...), etc.

5. Para um ritmo de crescimento maior, puxado por um sector privado inovador, ambicioso, competitivo, o que é preciso é sobretudo estimular e promover o empreendedorismo POR VOCAÇÃO, e isso passa necessariamente por fomentar uma cultura de inovação, de experimentação, de ousadia, de ambição, de assumpção de riscos (calculados), de transferência do "centro de controlo" para dentro de cada um de nós enquanto indivíduos. Este, obviamente, não é algo que se consegue com duas cantigas, nem de noite para o dia, e nem se espera que gere votos nas próximas eleições. É um trabalho de gerações, que exige coragem, visão de longo prazo e do conjunto, liderança, coerência e consistência de políticas e estratégias. Passa por começar a trabalhar o indivíduo desde a formatação da sua personalidade (família & comunidade), passando pelos mecanismos de apreensão de conhecimento (sistema de ensino, acesso a informação) até à adequação dos ambientes em que aplica este conhecimento (empresas, instituições, infra-estruturas...).

6. Isso não quer dizer, naturalmente, que se deve ignorar ou abandonar o reforço do empreendedorismo por necessidade. Nada disso. Este tem um papel importante no aumento do auto-emprego, no crescimento do nível de renda das famílias, na melhoria das condições de vida de uma certa faixa da população. O que defendo, sim, é que as políticas para sustentar o empreendedorismo por necessidade devem ser, pela sua especificidade, distintas das exigidas para o fomento de um empreendedorismo por vocação. Os objectivos pretendidos em cada uma dessas dimensões devem ser claramente definidos, e os mecanismos de intervenção (e até de integração ou de migração de um tipo de empreendedorismo para o outro tipo) terão que ser desenhados tendo como base esta perspectiva.

7. Dito, isto, vamos rever o nosso discurso sobre o empreendedorismo em Cabo Verde, pessoal? De que tipo de empreendedorismo nós estamos a falar? Serão os instrumentos que vimos utilizando os mais adequados? Quais as fraquezas subjacentes, considerando a distinção feita acima? Qual o melhor caminho que devemos seguir?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A vida, às vezes, é uma trampa...

A esta hora, era para ter já escrito um poema ou uma crónica, meu caro Cardoso. Em tua memória - diria certamente à laia de introdução. Seriam naturalmente versos entristecidos, desarrumados, jogados na folha em branco ao sabor da angústia e do espanto (ainda!) que nos vai a todos na alma. Dir-te-ia que ao cambar di Sol, a sombra de um homem é maior que si mesmo: e que nos antecede o rosto, nos antecipa conceitos, nos redefine os contornos. A sombra, os valores, o que somos, o que sempre seremos.

Hoje, caro colega, ficarei em silêncio. Sem palavras. Em jeito de protesto por esta forma tão inesperada de nos deixar...

Descansa em paz, Professor!


( "A sombra e o ser" - foto de PD)


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