sexta-feira, 28 de março de 2008
Vasculhando o baú 1
AZÁGUA
Era verde a cor dos teus olhos ali no sopé da colina naquela manhã de Agosto. Podia senti-lo, enquanto caminhava ainda trôpego de sono a teu lado, na mão direita o balaio com a cachupa guizada em banha de porco, duas batatas assadas, o termo de café, duas canecas e as colheres embrulhadas numa toalha quadriculada, que mamãe nos preparara para o dez-horas de logo mais. Assobiavas uma canção qualquer entre a farfalhar das folhas de bananeira ao redor e o cascalho quebradiço que me feria a sola dos pés. Nunca soube a letra da música mas tenho em mim que era alegre como o chilrear dos pardais que nos espreitavam dos ramos de ervilha.
Levavas ao ombro tua enxada no cabo longuilíneo de pau de goiabeira, e a tiracolo a algibeira de semear que mamãe costurara para ti, com dois litros de milho e uma mão fechada de feijão fava. De vez em quando interrompias o assobio para sorrir, como que para ti mesmo. E olhavas para mim com ternura de verde nos teus olhos de azágua, sim senhor, lembro-me bem, era verde a cor dos teus olhos ali nas veredas de Tapume e Pedregal naquelas manhãs de Agosto prenhes de sementeira.
Os espantalhos viriam depois quando despontassem à vida – e à esperança de boa azágua – as folhas tenras de verde rompendo a crosta da ilha. Milhos. Feijões. Pés de abóbora. Cruzes de caniço feito soldados em prumo, revestidas de trapos e sacos velhos acenando à brisa suave a tal ambição de milho verde. A ameaça silenciosa aos corvos e aos pardais de manhã à tarde, e a ameaça barulhenta do “toca-lata” com o Gilson, o Osvaldo Lis-Cóque e o César por-Déus, mais o xô pardal s´bi nó tópe d’tchê na covada Menél Gonçál manda dzêb s´êl pegób êl te matób, xôôôô pardaaaaal, que os moços do Cordas de Sol acabariam por popularizar mais tarde. (...)
Eram verdes os teus olhos quando te debruçavas sobre as covas de três quatro e cinco grãos de milho dois de feijão para espantar os fantasmas de secura e terra vermelha. Assim simetria na palma das tuas mãos, assobio na curva dos teus lábios e no dorso vergado sobre a terra, persistência no chão crã da ilha, enxada, teimosia, força. E a ternura de chegar a terra aos pés de milho primeiro, a monda e remonda depois, o cortar de flores antes do Sol a pino, a palha ressequida, e as espigas erectas sob nossos olhos de menino na pedra de prentém, camoca com leite de cabra e cachupa de milho de terra com toucinho e couve de Rabo Curto.
Hoje, vinte anos depois, ondê teus olhos verdes de azágua, Junzim d’Polina? Ondê tua enxada de cabo de goiabeira, ondê teu alegre assobio, tua algibeira de dois litros de milho e a mão fechada de feijão fava cruzada a tiracolo? Osvaldo Lis Cóque passeia nas ruas de Sóncente seu poema de juvita e óleo queimado, e eu – merda! – que faço eu aqui debruçado sobre a folha em branco como um moço entristecido? Há um mundo de internet lá fora, feijão enlatado com rolinhos de chouriço de Trás-os-Montes, festas do Fatiota ali no Flampa, cachupa guizada com longuiça di terra aos sábados de manhã lá na casa de pasto de Nhá Antónia no Plateau, cerveja gelada com búzio grelhado no barzinho de Achada de Santo António...
Ondê o verde nos teus olhos de minha azágua, pai?
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terça-feira, 25 de março de 2008
Blog de quel bon
Infelizmente posso escolher apenas dois (dura tarefa, JB, dura tarefa!):1. Amante da Rosa - pelo aprendizado
2. Bem Dzide! - pelas memorias e pelas gargalhadas...
E poderia acrescentar ainda mais, sem repetir os que ja foram "nomeados": Sinta10 (pelo aroma da ilha...), Veredas (pela poesia...), etc.
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Para ler
Porem, o filhodaputismo diário, inclusive praticado por pessoas que pela sua formação, status social, cargos se nutre expectativas mais optimistas me indigna profundamente e no dia que ficar indiferente estarei próximo da vegetação e será então hora de mudanças (de rua, de cidade, de país, de nacionalidade…) "
Palavras do Olavo, num texto deliciosíssimo... Confiram.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Cosmetica 1
Como a menina dos teus olhos.
("Corda" - foto de PD)
segunda-feira, 17 de março de 2008
Movimento CBV (Coisas Boas da Vida)
Eu já tinha feito este exercício ha alguns meses atras (ver aqui e aqui). O Café Margoso já avançou. Faça você também também...
("Dzemperin na Ponta do Sol" - Foto de Paulino Dias)
sábado, 15 de março de 2008
Palavras clandestinas
Era para eu me redimir dos mil pecados na curvatura dos teus lábios, as mãos trémulas de Março passeando na tua epiderme crioula. Era para eu ser poeta na menina dos teus olhos. Nem sei porque – caramba! – desisti a meio dos degraus que me levariam até o suor e o gemido cúmplice no deambular das horas. O verso e a nota de violão que amortecem pela calada da noite a distância, a saudade e o desejo na ponta dos meus dedos. Escrevo. Escrevo-te. Em desespero para que da folha não me fuja o poema e a memória. Rápido. Febril. Os meus dedos alternam-se entre o teclado e a taça de vinho tinto que me sabe a pecado. Alonga-se a madrugada pelas esquinas de Palmarejo. Adivinho seus odores de cerveja gelada, palavras ocas na mesa de um bar qualquer, uma porta que se abre si-len-cio-sa-men-te, um soutien que se solta com sensualidade quase poética, a calcinha arrancada na fúria de um desejo incontido, gemidos, cravar de unhas na pele suada, gritos, griiiiiiiiiiiiiiitoooo! Óh diab! O cheiro ocre de esperma que violenta a tal solidão das ruas à meia-noite, e o lençol amarrotado depois. Era para eu te escrever um poema qualquer nesta noite de lua crescente…
(Foto de Nana Sousa Dias)
quinta-feira, 13 de março de 2008
Um outro lado
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Subida ao Pico d’Antónia: Um bilhete para Kaka Barbosa
Dvéra dvéra, Kaká, há momentos que nos entranham a alma sima raíz de poilon tá esgrovetá pólme de subsolo no ventre da ilha. E lá no fundo se alojam para o resto das nossas vidas, assim poema, assim memória, assim grito de espanto solto inesperadamente na vertigem do precipício: obikuelu!!!!
Foi assim a subida ontem ao Pico Ntoni, Kaká. Lambia-nos a pele um friozinho de fevereiro ao descermos dos hiaces no Monte Tchóta. Ponto de partida, contagem dos participantes, foto de família. Diz-me a Célia que desta vez batemos o recorde: 47 caminheiros. Entre crioulos de várias ilhas, americanos, ingleses, espanhóis e brasileiros. Mais fotos. Ansiedades que já se despontam. Há no ar uma alegria genuína, um farfalhar de ani-cidades por entre o cheiro de eucaliptos. Espreita-nos a imponência do pico por entre a folhagem das árvores. Pés
Adiante. A subida foi um tanto puxada. As vistas são deslumbrantes. A ilha que se espraia do Pico Ntoni à borda do oceano que lhe deteve o sonho de evasão. A bacia de São Jorge, as casas que se espalham lá em baixo feito casinhas de bonecas. No outro lado, a ponta do vulcão de Djar Fogo à espreita por entre as nuvens lá longe. O ventinho que nos acaricia suavemente a pele empoeirada já. E o primeiro pico: o precipício, a vista, o silêncio e a música depois. Sim senhor, Kaká, a música: porque não faltou lá em cima um violão, tocador de São Nicolau, grogue de Sintanton pa fazê um brinde, e grogue de Stancha para secar o suor. Carlos deve ter sido o primeiro crioulo a cantar “assassinato d’um tchuck” acompanhado pelo violão do Pedro, ali no telhado de Santiago!
E o precipício na pequena subida até o pico mais alto. Chiça Kaká, que até eu, cabra macho nascido e criado na vertigem das rotchas de Sintanton, tive um cagaço dos diabos! A coisa assusta, brother. O fundo da ilha num lado e noutro das nossas ihargas. O medo que nos aloja nas canelas trêmulas. Vertigens. Mas encanta, mesmo assim. Aliás, talvez até por isso: sentimo-nos arrepiantemente insignificantes. Porra, lá em cima, quase a tocar o céu, era para nos sentirmos mais próximos de Deus, assim uma espécie de parentes próximos na sua grandiosidade cósmica, não é? Mas não: sentimo-nos minúsculos, Kaká. Grãos de poeira, tão só, ao sabor das horas.
Em Covoada de São Jorge, depois de horas de descida, esperava-nos um carneiro sobre as brasas de um grelhador, mais a cerveja gelada e a simpatia do Chico. Ah, Kaká, mesmo com o corpo esbodegóde sima um saco de batata que rolá de rótcha, ainda um pila um funaná bem finkadu, ali no sopé do Pico Ntóni! Bêbado de ilha e de poemas. Bêbado de Cabo Verde profundo. Bêbado de Pico Ntoni, Kaká...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Caminhada deste Domingo: Piku Ntoni!!! (Duas notas para José Luís Hopfer Almada)
Já quase que sinto as rugas da ilha sob nossos pés de "caminheiros sem fronteiras", levo na mochila - junto com a garrafa de água e a máquina fotográfica - o verso deste teu poema que semeou na minha epiderme esta fome insaciável de Santiago...
(...)
Todos nós éramos
solilóquios de pedras nuas
velando a geometria encarcerada da vida
sob a ténue sombra dos ciprestes
e a miraculada grandeza dos poilões
diálogos verbos pétreos
reverberando
nas noites longas da Assomada
(...)
JLHA
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Resposta ao João Branco
Respondendo ao teu desafio, eis abaixo 12 palavras que de imediato me vêm à mente ao ler o teu post: mas o significado, sorry, só a minhalmadequasepoeta o pode dizer...
Fajã
Lua
Mánha
Poema
Cimbron
Dignidade
Psú
Lavada
Esquina
Cutelo
Min-gó!
Respeito
Candêr de pitrôl

CANDÊR DE PITROL
A Electra tem nos deixado a todos no meio de uma escuridão dos diab... nãããã, não vou falar da Electra. Que sobre isso muita tinta já correu, muito já se disse, não há muita novidade por aí a não ser as 101 Dicas Para Viver Sem Luz que me vejo forçado a pôr em prática dia sim dia sim (por exemplo, estou a pensar seriamente em adoptar um look rasta ou black power: morro de medo de ir a uma barbearia nesses dias e ...puf!, a maldita electricidade escanelar-se bem a meio do corte de cabelo!).
Mas neste último mês não pára de me assediar os miolos aquela imagem do candêr de pitrôl que mamãe colocava todos os dias à noite no quarto que nos servia de sala de jantar. Quase que o vejo – alucinado que fico, à procura de luz luz luz!, quando chego em casa à noite – assim no seu formato cônico de lata reciclada, a “cabeça” de tampa de cerveja feito coroa de rainha, encimada com uma pequena forma cilíndrica por onde passa a torcida. E a chamazita – Deus, a chama! – que nos alumiava as horas, o mundo ao redor, as histórias de Ti M´guêl de Treza ali à porta da casa antes que invadissem o povoado os gongons e as bruxas de meia-noite a caminho de Esponjeiro.
O candêr de pitrôl fazia parte definitivamente do nosso mundo e do nosso imaginário. Antes dos cabos elétricos rasgarem os vales da ilha até os recôndidos de Fajã a Rabo Curto, não havia casa em que não se encontrasse esta imprescindível ferramenta, em todas as lojas era obrigatório ter lá o bidon de pitrôl que Nhô Chico d´Helena ia reabastecer de tempos em tempos com aquele enorme camião de combustível da Shell, e todo menino de mandado que se preze teria que saber comprar meio quarto de pitrôl ali na loja de Jóna Lima. Detestava comprar pitrôl, pessoal. Assim como levantar a torcida do candeeiro para aumentar a chama. O cheiro que nos ficava entranhado debaixo das unhas – imagina então se justo naquela hora nos resolve aparecer a tchutchinha, bolas!, quase que o beijinho saía com gosto de... pitrôl!
A utilidade do candêr de pitrôl não se resumia apenas à iluminação, claro. Devido aos supostos poderes curativos do pitrôl, o candeeiro era assim também uma espécie de mini-farmácia ou armazém de remédio: alguém estava com dor de barriga? Traga o candeeiro! Umbigo inflamado? Candeeeeeeiro! Comichão nos testículos? Toma lá torcida de pitrôl!! Mordida de cempê? Pitrôl era remédio santo...
Tínhamos também lá em casa o candeeiro de vidro, comprado lá na loja de Nhô Zeferino em Povoação. Mas este, credo!, só para ocasiões especiais tipo visita em casa, ou quando escrevia cartas pa Nununa em Holanda. Colocado ostensivamente no centro da mesa da sala sobre uma rendinha, o seu clarão alaranjado impunha-se rei e senhor sobre os rostos ansiosos e os rostos de saudade, enquanto mamãe ditava-me as mantenhas e abenças para o filho na terra-longe. O pior azar que nos podia acontecer era quebrar o vidro do candeeiro. Então o cinto de três pernas comia solto, como numa desgraçada tarde em que acidentalmente dei um encontrão na mesa, fazendo derrubar candeeiro, vidro, renda, a fotografia a preto e branco da minha prima Paulina na moldura dourada... meu pai ficou uma fera!
Mas não havia candeeiro que nos deixasse com os olhos tão grilidos de espanto como o petromax de Ti Jôn d´Bléca. Para nós aquela era uma novidade de outro mundo, era ver a potente luz a espalhar-se desde o corredor da sua casa até os pilares de cana ao redor e o trecho do caminho que passa em frente ao portão, alumiando-nos as mã-gatchádas, os pés e as vozes de menino nas noites estreladas de Fajã, os pés as vozes e a LUZ na tal comunhão sobre as horas noturnas em movimento.
Não sei porque me vêm tudo isso aos miolos justo agora, caramba!
("Lamparina" - foto tirada daqui)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Ilhas na Cidade
Vamos pensar nisso? Talvez por altura do 150º aniversário da Praia.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
"Eurásia"
Do meu amigo “Peter Silva” - companheiro das caminhadas de domingo, das achadas grávidas de pó e gargalhadas, dos cutelos deste Santiago profundo -, recebi este belíssimo poema na língua di tera. Obrigado pela participação, óh poeta!
N’gadanha na témpu
N’futi-futi na nety…
N’kônxi Eurásia!
Dagúma,
Frondôza, mimôza,
Prendada!
É dân ku stângu!
N’skúda na si voz
Meludióza!
N’lâbilâbi na krizta di sê pensamentu,
Ki luminâ’m nh’alma,
Sêndem xintitu,
S’kankarân mimória!
Bai di li, bem di lâ,
Nu marra friôlu, kômpassádu,
N’trokôla xintidu!
Xih!
Djôgu di mórti,
Atáka li, difêndi la,
Pa s’tibôrdu pa bômbordu,
Lumi sêndi, sukúru fitchâ,
Núbri labánta!
É môstra’n sê vergonha!
Strubáda rabenta, krân!
N’mânela tékla,
N’fukufuki’l nhâs krêris na són di letra,
Pan dismiôla’l butunku di bêz!
É lambuza inda si mê!...
Pa máz kin kunsa,
Pan dôlma’l xinditu,
S’pêransa, stribinka!
Fumu bránku, nem sinal!
Nha dizêju lagônguido,
Frutchi na missênha, sem bildjêti, nem passapórti,
Na s’pássu, é sêndi moda strêla,
N’bârka na nety…
Lebâ’l kêbrantu nh’alma,
Sôtádu, rabentádu!
Kâda bêz kin prâma na nety,
Dâ di dâ, kin’ôdja Eurásia,
N’ta xinti kâ sâbi ta entranha’n,
Ta levitâ’n, ta lêbia’n k’un sabura!
Ki ta disfâniká’n, ta n’tchôtchá’n Kâkú!
Kôrda môz!
Lembra ma bu recebi águ’l baptismu,
Kâ’u da lâstru, pa satanáz inferna’u!
Na kâxa PC,
Ôdju d’Eurásia n’fitissádu,
Ta garbáta, ta baskúdja, ta rabôlbe’m ti tutánu
É ta frútchi ki nem cendêru,
Ta barganha ki nem galápu!
Ta n’kuralâ’n nês prizôn d’ildjêu – prendêudu!
Mô kâbra na kúral.
N’ta kúda gô!
Sê dismamânta, é bâza na mar!
N’ta frantchi’l anzol, Kâ ta kâpri, nau!!!
Ku fôrsa’l s’kônxu, n’fazi bandôba, kôraçon – abruninci!
Nem ki bem térramóti, pa kába – úpu!
N’na, gô kê lâpi!...
Kôraçon ta sangra, n’pêga boba d’Eurásia,
É um krêris,
Ki ta marlôtá’n,
Mô ratádju!
É luminári na nha kôrpu,
Ki ta kírsi, é finadu ki tôma’n,
Piku d’inférnu, nem kê lebâ’n!
Kâ tem missa, nem ága-bénta
Ki ta s’kônjura sê kêbrantu!
Eurásia, Eurásia, Eurásia!
Di trâbéssu n’ka ta bai,
Nh’âlma, nha sprítu, stá na bum ô!
Si nês planeta nu kâ djôndju,
Nu ta djuguta’l ti lâ+i, na Kelôtu!
N’ta spêra’u, píamm!
Kê pa nu djunta, pa nu brinka, brinka ku litôn!
Tcháda Santantóni, 10 di Janêru di 2004
Peter Silva
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Crónicas de Fajã 9
Revejo da janela o azul claro do céu de Pinhão. O verde nas canas ao redor da casa – teus olhos. Sinto novamente o teu cheiro no parapeito, o cheiro do pecado com teus cabelos soltos sob minhas mãos de dezembro. Tudo me lembra este teu cheiro: o lençol alegremente estampado (que ficou ali jogado no chão - desprogramadamente), a toalha de banho que partilhamos de seguida, até o abraço terno da minha mãe que me espera na soleira do portão enquanto me pergunta como ficaste. Tudo me lembra você.
Junzim d’Pólina sacode a última gota de grogue do copo e conta-me dos tempos idos. Nhô Gustim de Pinhão, com quem fazia parelha nas paredes das FAIMO. Frank, o moço de coração bom, também daquelas bandas, ma de “linga rum” como o diabo. Jinja, filho de Nhô Mateus lá de Pinhão (o mesmo que noutro dia mostrám camin”). Que gaiatamente lhe surrupiava pedras e calços na levada de Pedrene. A namorada que lhe devolveu as cartas numa tarde má-criada de outubro (esta uma outra “estória”...!).
Mamãe acaba de entrar com uma tijelinha de cachupa guizada e duas bananas para o seu codê. Tudo me lembra você. Nem sei porque deste meu espanto...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Primeira caminhada do ano...
(“Caminhada Mosquito d’Horta – Telhal de Engenhos, 27/01/2008”, fotos de PD)
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Em jeito de biografia 3
(“Fretcha dzurida ma Tópe de M’randa tá spretá” – foto de PD)
Em jeito de biografia 2
(“Fretcha dzurida na tarde de rótcha e céu” – Foto de PD)
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Em jeito de biografia 1
("Fretcha dzurida em note de lua cheia" - Foto de PD)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Resposta ao Kaka Barbosa
Um abração, fico à espera do convite para a música!
(“Nhô Mateus ta mostrám camin” – Foto de Paulino Dias)
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Crónicas de Fajã
Volto a dar de caras com a manhã fria neste planalto de Fajã, quando abro a janela do quarto. Tenho as pernas doridas depois das cinco horas de caminhada de ontem, entre Xoxô e Corda, com os meus amigos americanos Jim e Deborah. Mas valeu a pena, caramba!, penso cá com os meus botões. A bacia de Xoxô que se abre como uma flôr após contornarmos a curva do Canto, o famoso erotismo pétreo de Lombo de Pico com a sua torre que mais parece um pénis erecto. Não faltam as bolas, as mangueiras no sopé parecendo pentelhos eriçados, as gentes ao redor nas suas casinhas de telha e palha tinguinha... A vista do vale de Ribeira da Torre a partir das ladeiras de Losnã tem o sabor de um poema que nos enleva assim de repente. Assim como a cerveja gelada e o sorriso da Milú que nos espera no bar do Sr. Domingos de Bia em Corda, enquanto aguardo o carro para Povoação...
Há dias fui igualmente até Pinhão, com o Maica de Nhá Joana, que vive em França. Subimos pelo caminho de Tope, passando por Selada de Ribeirinha de Jorge, com o precipício da Ribeira de Pedréne no nosso lado direito, descendo depois até a Vila de Povoação. Sempre com Fajã lá ao fundo acenando-nos em belíssimas vistas lá do alto. Como é belo estoutro lado da ilha, pessoal! Fica o convite, Célia. E Zé Pedro. E os outros - colegas de caminhada em Santiago...
Doem-me as pernas, entretanto, quando volta a minha mente ao quarto nesta manhã quase fria. Minha filha Patrícia dorme ainda. Paro por alguns instantes para lhe rever os contornos da face. Afasto-lhe uma mecha de cabelo dos olhos e sorrio inesperadamente...
No dia 27, Nhô Jõn Miguel e Nhá Titina completaram sessenta anos de casados. Houve festa rija aqui no Planalto de Fajã, como não podia deixar de ser. Com missa do Padre Ima, choros de emoção dos filhos que vieram de propósito, discursos do Miguilim, o filho mais velho, música & danças, o abraço apertado em jeito de parabéns, o pedido discreto a Nhô Jõn para que me ensine o truque. Preciso.
No mesmo dia foi o 98º aniversário da Didita, lá em Chã de Margaridinha. Nesta noite não brigou com Nhá Ilda, como de costume. Sorria, sorria sempre, enquanto o neto Pulitcha lhe rodava num mazurca pelo terraço da casa do filho Corsino. Quase que não lhe sinto mais o corpo quando lhe abraço por entre as lembranças de diazá que me assaltam no preciso momento.
A 29 deste mês teve mais aniversário. Desta vez foi a minha mãe Silva quem fechou a conta dos 74 anos. Dançou com o meu velho ali no corredor (alguns dos filhos e netos ao redor a bater palmas...). Até roubou-lhe um beijo, assim de repente, entre a gargalhada da assistência. Antes do apagar das velas e da primeira fatia de bolo. Antes do contar de estórias ali no corredor defronte. Antes do verso que deixo logo depois no bloco de notas sobre a mesinha de cabeceira, enquanto o sono não vinha...
Crónicas de Fajã 8
Logo à noite será a festa, ali no terraço do Ntone Santos. Enfeitaram a casa toda com ramos de pinheiros e fitas multicolores para a festa do final de ano, e tascaram-lhe poeticamente o nome de “Astro do Amor”, numa placa improvisada pelo Ney de Treza. Vou até fingir arrogantemente que foi tudo preparado por tua causa. Para nós dois: a música, os apitos, as gargalhadas, os foguetes que certamente ecoarão pelo vale à meia noite em ponto, os brados de Boas Festas que ouviremos do Pina, da Bia Tchabéta, do Octávio de Trezinha, do Roberto, do André de Tunkninha, da Nonóia...
Será tudo por tua causa - vou pensar cá com os meus botões. Até o poema que me chegará sem aviso prévio, e que sussurarei devagar no teu ouvido enquanto dançamos com os olhos fechados aqui na noite de Fajã Domingas Bentas...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Crónicas de Fajã 5
("Fajã Domingas Bentas" - foto de Paulino Dias)
domingo, 23 de dezembro de 2007
Cronicas de Fajã Domingas Bentas
Eram precisamente 11h12mn quando cheguei ao planalto de Fajã, neste sábado 22/12/2007 . Lembro-me de ter olhado o relógio instintivamente (o maldito tempo a cronometrar-me a alma mais uma vez, porra!). Meu pai Junzim d’Polina aguarda-me ali no portão com um terno abraço que já me sabe a Natal na ilha, mamãe também vem chegando da cozinha e escancara os seus braços para que eu neles me aloje como o filho pródigo. O aperto dura largos segundos, enquanto me pergunta pela vida, a Praia como ficou, estás bem disposto graças a Deus, nhá codê!, já estávamos com saudades tuas. Papai ressurge outra vez vindo da sala de jantar com a garrafinha nas mãos e dois copos. Pa secá suor, diz-me... eh eh eh.
A vida é bela, parece dizer-me o Benigni aqui no planalto de Fajã Domingas Bentas, entre rumores de verde, o silêncio da ilha e o cheirinho bom de cachupa guizada que me chega lá da cozinha neste preciso instante em que vos escrevo.
Crónicas de Fajã 2
A tarde foi de festa no planalto. O tradicional encontro dos “menos jovens” da comunidade, no Natal organizado pela malta das associações Amafajã, João Paulo II e Pedras Vivas. Estavam quase todos lá: Nhá Júlia d’Antone, Nóna e Nhô Marta, Nhá Treza, Dinha Arcângela, Tia Tuda, Nhô Jõn d’Guigui, Nhô Lela e sua esposa Nhá Engrácia, lá de Ribeirinha Curta, Nhá Guida de Marcelino que veio de Varzinha com Nhá Lina de Vicente, Ti Pipi mais Nhá Carlota, Nhô Jon Ntunin e Nhô Zéc de Marrador, meus velhos Junzim d’Pólina e Silva, e tantos outros...
Palmas, pessoal, palmas!
Crónicas de Fajã 3
Acordo com o quarto anormalmente frio, até para um final de dezembro na ilha. São 6h00 da manhã. Abro a janela, o povoado ainda adormece no meio à penumbra e ao silêncio. Depois da festa de ontem, a ressaca de hoje. É domingo. Ergue-se o contorno do monte de Péd Rétim por detrás do coqueiro de Nhá Júlia d’Ana. Volto a enfiar-me na cama, debaixo da pesada colcha que mamãe deixou-me na cabeceira.
Tive dificuldades em dormir esta noite. A ansiedade talvez. O poema que me deixou inquieto, provavelmente. A saudade, com certeza. Tive saudades tuas. Várias vezes durante a noite vieste visitar-me ali no silêncio do quarto. Entravas sem bater, sem pedir licença, deseducadamente. Primeiro chegava-me o teu sorriso meigo. A gargalhada pura depois. Os teus olhos de menina vinham espreitar-me mesmo no escurinho cúmplice que nos envolvia. Tive saudades tuas, bruxinha...
Crónicas de Fajã 4
Por mais que tente, não consigo dormir novamente. O relógio mostra agora 6h23mn. Levanto-me, enfio uma camisa qualquer, pego a máquina fotográfica e saio à cata dos meus tesouros. Subo ao terraço primeiro, em busca de imagens do povoado no amanhecer por detrás da objectiva. Sigo depois para a lavada de Borrónque, bebendo a manhã que desponta lentamente. As canas estão floridas. O vale mostra-se numa roupagem espectacular que me extasia. Topo de M´randa exibe-se num outro ângulo. Ao longe, escuto o barulhinho típico de água a descer por algum “entorrnodor”. No bordo da lavada, dou de caras com um FODÊ escrito a giz branco em letras maiúsculas.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
De largada para a ilha...
("Sentinela de pedra" - foto de Paulino Dias, descida de Losna)
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Excertos...

1
Acordo com o teu cheiro nos meus braços. O dia clareia lentamente no olhar que me ficou na memória como poesia. Levanto-me para correr as cortinas da janela e imagino-me a sussurar no teu ouvido “não tenhas medo”. Não tenhas medo – digo-te baixinho enquanto afasto uma mecha de cabelo da tua face. Lambe-me a pele arranhada de saudade os raios deste sol de dezembro que me entram quarto adentro.
Foi delicioso o momento. A curva dos teus lábios, o teu sorriso, o beijo adiado. Ficou o poema e a vontade, a nota de violão e a taça de vinho tinto enquanto passeia a noite pela rua deserta. O desejo de te ver novamente.
("O Beijo dos Cisnes" - foto de Daniel Oliveira)
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Ilhas na ilha
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Caminhada do mês: Pico Leão / Assomada
das noites longas de Assomada
feitas Far-West
e dos rios de fodjadas
sob os nossos pés ritmando
de crianças
em loucas correrias verdes?
Todos nós éramos índios
negros brancos e mulatos
todos éramos peles-vermelhas
de escalpes crioulos
Lembras-te, Tchikosa
das noites longas de Assomada
das varandas debruçadas sobre Assomada
e dos pardieiros feitos castelos
Riba kontra Baxu Kutelo kontra Somada
nas noites longas de Assomada?
Todos nós éramos
Nhagar de coração
plenos de Natal
plenos de Assomada"
(...)
in Assomada Nocturna, de José Luís Hopfer Almada
O meu primeiro “contacto” com Assomada deu-se através deste poema, que li tinha aí uns 17 anos. Encantou-me logo a então vila, os kutelos e achadas do poema, que me lembravam os montes e ribeiras da minha ilha, as estórias e aventuras de menino que então adivinhava saltando dos versos do JL directamente para as hortas de cana e bananeira de Nhá Júlia d’Ana lá no meu Fajã Domingas Bentas, via-me ali também no poema mais o Gilson, o Cai de Mari d’Joana, o César e o Jon Bunita também nós nos nossos pardieiros feito castelos de Trouxe as Cartas, Cavaleiro Inglês, Papagaio Louro...
Meu segundo contacto, nove anos depois, foi quando fui tansferido para Santiago em 2002. Tive então a felicidade de cruzar o concelho de Santa Catarina de lés a lés, e (re)visitar todos os lugares de que me falava o poema acima citado. Até pareceu-me que tinha ali o JL a mostrar-me cada um dos lugares da sua infância no Assomada Nocturna!
O terceiro “contacto” a registar, foi sem dúvida neste último domingo. Porque de um outro prisma. Num outro poema, que agora se construiu minuto a minuto, metro a metro, enquanto avançávamos de Pico Leão, galgávamos a rocha íngreme até Achada Mula, cruzávamos este planalto absorvendo em golpadas a brisa suave que descia pela encosta de Pico d’Antónia. A agora cidade de Assomada que se estende de repente a nossos pés, acariciando-nos a alma e o olhar ali do miradouro, depois de cerca de 2 horas de caminhada, o ventinho quase frio contornando o cutelo, a água gelada que nos lava o rosto e a alma na descida de uma hora, as canas que se abrem em flôr de novembro como as da minha ribeira lá longe, a gostosa feijoada da Cozinha da Avó na Assomada em festa para nos saciar a fome, o cansaço e a busca pelo Cabo Verde profundo...
Deixo-vos um cheirinho para completar a descrição. Obrigado, Célia, por mais essa descoberta. Obrigado, Jaiminho, pelas informações. Obrigado a todos os colegas do “Caminheiros Sem Fronteiras”! Até a edição de Dezembro para mais um percurso na ilha...
(Fotos de Paulino Dias)
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Próxima caminhada
Já no Sábado (amanhã), vou aquecer o motor com outro grupo, percorrendo o vale de Cidade Velha.
Inté, bom final de semana a todos!
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Do amor na ilha...
E porque hoje acordei com o teu sorriso na ponta dos meus dedos, deixo-te aqui a crónica que te escrevi há mais de dois anos. Em jeito de catarse, para espantar o frio e a memória...2. Do amor menino à Gracinda de Ti Djô d’Engrácia, o primeiro beijo que me chega assim na lavada de Borronque sob a cobertura de Trouxe as Cartas, Casamento Inglês e Senhor Barqueiro Deixe-me Passar, que nos envolve o medo e a curiosidade como um rumor lá da Bordeira de Fajã Diante. E o amor adolescente ali na Rua 9 de Ribeira Bote a espreitar da janela um punhado de versos sob os belos olhos de Taty de Nhô Frank no passeio defronte, a angustiante timidez a calar-me na garganta o desespero de tantas madrugadas.
3. Do amor estudante ali na Rua São João Número 34/301 mais a suave brisa do Guanabara a pintar nos nórdicos olhos da Julia Teuber o indício primeiro da minha anunciada loucura, os longos cabelos loiros sobre meu peito d’ilhéu na barca Niterói-Praça XV às três da manhã, e os poemas rasgados de seguida a meio de um gesto enraivecido de dor e distância. E do amor homem depois...
4. Do amor homem da ilha que me atinge assim sem mais nem menos à entrada de Lugar de Guene, às 07h55mn de uma manhã qualquer de fevereiro. E então procurei-te. Nas curvas do vale enlouquecidas de verde-e-branco, na marca de meus passos sobre o tímpano da ilha, num punhado de versos que sepultei logo depois à sombra de uma oração, procurei-te perdidamente na minha loucura como o bálsamo derradeiro da minha inquietação.
5. Bela! Como um poema nas noites calmas de agosto. Bela! O dó-ré-mi de um violão nos meus dedos sobre teu corpo. Bela! Contornos de uma lágrima que te espreita timidamente pelo retrovisor. O tempo em teus olhos, nos teus cabelos feito pássaros em debandada, na minha mão direita sobre teu corpo-ilha, no beijo que pousei em teus lábios como um poema numa manhã de outubro. Construí sobre teu corpo – pedra a pedra gota a gota – um rumor de tantos versos no silêncio das noites incompletas, gos-to-sa-men-te incompletas. E trago ainda na palma da mão o mesmo beijo que te roubei certa vez à porta da minha loucura. Mas mais do que o beijo – caramba! – o olhar.
6. Amo-te. E odeio-te. Perdidamente, como um poema do Neruda. Amo-te. Ou odeio-te. Em mim, esta dúvida na planta dos pés a pisarem pela milésima vez o cascalho da ribeira a teu lado, a Lua a dedilhar nos teus lábios o verso que te fiz ontem de madrugada enquanto o sono não vinha. Entre o amor e o ódio, a raiva e o erotismo em ebulição à flor da pele, a ponta dos dedos no teu rosto sobre meu peito, entre teu olhar de menina e teu beijo de mulher sob meus cabelos crespos enlouquecidos de ternura, amo-te. E odeio-te.
7. Os olhos. O telefone que toca justo a meio de um verso para me dizer ‘m ta gosta d’bô. Os olhos. A menina de uniforme verde-e-branco que vi um dia na estrada poeirenta do vale, verso antecipado dos mil poemas que haveria de escrever – e rasgar de seguida! – na palma da minha mão esquerda. Os olhos. Há qualquer coisa inexplicável e bela por detrás da menina dos teus olhos. Rumores de um mistério, o gesto suspenso na encruzilhada de duas almas, a cidade depois a teus pés no rastro de um navio negreiro, o verso que me entra assim de repente pela janela escancarada...
8. Procuro-te. Também corpo. Também lábios. Sexo arquejante no ranger das horas. Também suor. Também gritos. Gemidos de esperma em noites clandestinas de meus dedos que te buscam! Procuro-te. Desesperadamente procuro-te. Mulher da ilha verso&tambor, sexo louco em madrugadas insones, dor. Dor! Doooor! Procuro-te até à porta da minha loucura (o beijo subtil pousado em teus lábios enquanto dormes, como o vento nas velas caídas de um navio negreiro...). Procuro-te. Agora mulher. Agora pecado. Agora poema. Agora dor!
9. Nas pedras da ilha ficaram para sempre as marcas da nossa loucura, o farfalhar do vento na retina dos teus olhos...
Fajã Domingas Bentas, 2005 - numa noite qualquer de Agosto
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Silva de Junzim d´Polina
Deixas, mãezinha? Cheirinho bom de café e cachupa guizada, este que me chega assim de repente numa suave saudade...
(“Silva de Junzim d´Pólina” – foto de Paulino Dias)
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Happy birthday to you...
Ontem este meu cantinho intimista completou o primeiro ano de vida. E nem me dei conta, caramba, tão febril e sonhador que estou nestes dias!terça-feira, 13 de novembro de 2007
Um telefonema às 07h32mn
Porquê, Fáia de Totóna, porquê????????????????
Agora que te foste, o que faço com a foto que eu te fiz ali na borda do tanque de Marrador no ano passado, e que diazá estou para te enviar? O que faço com as nossas memórias da escola primária ali com a Professora Bibia de Chiquim, o que faço com a lembrança das tardes percorridas anos depois a caminho do externato de Povoação, do teu peito aberto de menino-moço de meter respeito?
Ahn, Fáia???
Vou tomar um café. Talvez à noite escreva mais um daqueles poeminhas de merda, assim que a raiva se diluir e passear-me pela fronte um tintinho assim de dor e saudade…
(“Amanhecer entristecido” – foto de Paulino Dias)
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Um post para a Eury
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
E por falar em caminhadas...
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Benvindo, uma sugestão de trajecto em SA: de Tarrafal de Monte Trigo a Ponta do Sol, passando por Norte, Ribeira da Cruz, Figueiras, Rª Alta, Cruzinha e Fontaínhas. A região mais montanhosa de todo o arquipélago, sem dúvida, com uns pontos de fotografia ímpares. Grau de dificuldade: média. Podes fazê-lo em 5 dias.
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Outro trajecto interessante (este mais curto): Corda/Xoxô, passando por Losnã. Quando nos encontrarmos em Santo Antão, prepare a mochila e a máquina, vamos combinar algumas caminhadas. Sugestão: fazer o percurso inverso ao que fizeste, iniciando em Vila das Pombas, subindo ao longo do vale do Paúl até Cova, e descer no outro lado, em Rabo Curto (Ribeira da Torre), passando ao lado do local onde o avião embateu. Qui tal?
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Célia, fica aqui também o convite/desafio, de levarmos um dia os "Caminheiros Sem Fronteira" de Santiago para Santo Antão, ok?
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Um abraço,
